Tempestade – Um Poema de Cecília

Cecília Meireles. Fonte: https://famosos.culturamix.com/escritores/cecilia-meireles

Enquanto tento escrever esse post, um milhão de ideias me passam pela cabeça, afinal, é sobre Cecília Meireles que eu vou escrever, ou melhor falando, sobre um poema em particular, apesar de poema ser aquela parte do poeta que resiste ao tempo. Contudo, isso é uma discussão para um outro momento.

Conheci Cecília ainda criança, pouco antes de começar a frequentar a escola. O recém desenvolvido hábito da leitura despertava um ímpeto de devorar o que quer que fosse, desde livros ilustrados, quadrinhos, até as bulas de remédio, embora não entendesse muita coisa. A grande questão é, que enquanto a maioria das pessoas passam por Cecília pelo poema Ou Isto, Ou Aquilo, que se estampa como seu cartão de visitas nos livros didáticos de Língua Portuguesa, eu a encontrei bem mais cedo em um outro poema: Tempestade.

O que me conquistou nesse poema foi a forma como ele se apresentou. Se eu pudesse fechar os olhos, conseguiria ver as flores medrosas se escondendo nas próprias pétalas, como um daqueles desenhos animados. Conseguiria ver também os relâmpagos cortando a noite como criaturas vivas e com ferocidade. Sentiria também a intensa e exata descrição daquela noite “despedaçada, despedaçante” (que até a escrita desse post eu lia “despedaçadamente”). Por fim, a conclusão que mais parece uma admiração sobre todo o significado que aquela cena possui: as delicadas rosas em meio a tempestade.

Fiz algumas pesquisas internet afora e não consegui encontrar onde esse poema foi publicado ou se chegou a ser publicado. Posteriormente, conheci outros poemas de Cecília como Lua Adversa, Retrato e muitos outros. Acredito que sempre haverá algo de mágico, capaz de encantar seus leitores e que quase sempre deixá-los submersos em uma viagem pelas varedas de suas próprias consciências. Ler Cecília talvez seja descobrir uma coisa muito importante sobre nossa essência humana: somos universos surpreendentes e infinitos onde se perder é um risco, mas se encontrar é uma necessidade.

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